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A Casa e a Cidade – Coleção Crespi-Prado

A exposição “A Casa e a Cidade – Coleção Crespi-Prado” mostra o uso residencial do imóvel que hoje abriga o museu, construído entre 1942 e 1945, e sua inserção em um território da cidade que testemunhou grandes transformações urbanas na primeira metade do século 20.

Os moradores originais da casa, o casal Renata Crespi e Fábio Prado, foram protagonistas nas transformações históricas, culturais e urbanísticas na cidade de São Paulo. Ex-prefeito de São Paulo (1934-1938), Fábio Prado permitiu a expansão da malha urbana rumo ao rio Pinheiros, atraindo a elite que começava a deixar o centro da cidade.

Os textos do ambientalista Ricardo Cardim e a pesquisa iconográfica em diferentes acervos, como da Fundação Energia e Saneamento, do Esporte Clube Pinheiros e da Casa da Imagem de São Paulo, permitem identificar as transformações ocorridas neste território de inserção do Solar, desde as primeiras ocupações à canalização do rio Pinheiros.

Já as ações urbanísticas e culturais do prefeito, sua vida pública e a cidade do período são detalhadas em textos produzidos pelos arquitetos e urbanistas Carlos Lemos e Maria Ruth Amaral.

As origens e o cotidiano do casal mostram sua atuação expressiva na história da cidade. O Solar foi desde o início caracterizado como um local de encontros, reuniões e eventos de caráter político e cultural.

A ocupação do interior é retratada por fotografias, móveis e objetos que revelam hábitos do casal, como o de oferecer célebres jantares e colecionar objetos de arte como porcelanas e pratarias de diferentes regiões do mundo, ao lado de obras de Di Cavalcanti, Portinari e Brecheret.

“A coleção da família dos moradores originais do imóvel que abriga o Museu da Casa Brasileira tem sido preservada pela Fundação Crespi-Prado, criada por Renata Crespi em 1975. Em 1996 houve a primeira apresentação de parte desses objetos no MCB. A nova exposição, inaugurada em 2012, contextualiza a coleção com uma curadoria que tem o viés das abordagens características das áreas de vocação do Museu”, afirma Miriam Lerner, diretora geral do MCB.

As transformações sociais, que se revelam nas transformações de hábitos, são exploradas na exposição das peças do acervo da Fundação Crespi-Prado (em comodato no MCB). Os artistas modernistas colecionados pelo casal e a apresentação dessas obras de arte em ambientes distintos da residência mostram a atitude vanguardista de Renata Crespi e Fábio Prado.

“Esta mostra visa contribuir para o conhecimento de uma face importante da história de São Paulo, e facilitar a compreensão das relações entre o imóvel, seu uso, os hábitos de seus moradores e a paisagem, revistas a partir da casa e do período de sua vida como tal, a casa do MCB”, conclui Giancarlo Latorraca, diretor técnico do Museu.