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visita especial à mostra Casas do Brasil 2014 - Carandiru


O Museu da Casa Brasileira promove no dia 21 de janeiro, a partir das 19h, visita especial à mostra Casas do Brasil 2014 – SOBREVIVÊNCIAS/ uma exposição Sobre Vivências: Carandiru com a curadora Maureen Bisilliat. As inscrições são gratuitas, e podem ser feitas pelos contatos (11) 3026.3913 ou agendamento@mcb.org.br. 

A mostra é a 6ª edição do projeto Casas do Brasil, mapeamento sobre as diversas formas de morar no país. SOBREVIVÊNCIAS revela soluções encontradas pelos detentos para as condições de vida enfrentadas no cotidiano do presídio. No encontro com Maureen, que desenvolveu projetos no Carandiru desde a década de 1980 até seu fechamento em 2002, ela revelará detalhes sobre os conteúdos da exposição e o processo de documentação realizado na casa de detenção. 

Na exposição, a iconografia utilizada foi produzida pela equipe coordenada por Sophia Bisilliat e André Caramante entre 2001 e 2002, últimos anos de funcionamento da Casa de Detenção Professor Flamínio Fávero (Carandiru), antes de sua demolição. Para que este registro fosse feito, antes de dar início a qualquer documentação efetiva, foi necessária a presença passiva dos entrevistadores, entre abril e outubro de 2001, nos espaços internos da detenção. Em outubro de 2001 – dada a permissão de circular livremente (dentro dos limites do possível) nos pátios, celas e corredores –, Sophia e André iniciaram o trabalho de documentação. Juntaram-se a eles João Wainer para fotografar e Maureen Bisilliat para gravar em vídeo os detalhes: cada coisa e cada lugar destacados, magnificados e dignos de observação.

A equipe coletou peças do dia a dia, que formam um recorte das ferramentas e utensílios improvisados pelos detentos: fornos, ferros, filtros, facas, que, na mostra do MCB, podem ser vistos fisicamente e em imagens de Renato Soares. São apresentados objetos e arranjos interiores produzidos como “resistência cultural”, feitos criativamente em condição de extrema limitação. 

Complementam o conteúdo expositivo fotografias de Andreas Heiniger de portas e celas, identificando soluções de um cotidiano: a arquitetura da sobrevivência dos internos residentes da detenção.

Montada cenicamente por Marcos Albertin, a exposição é dividida em módulos temáticos: limpeza, comida, esporte, religião, celas, saúde, silêncio, solidão – capítulos que ganham vida por meio das palavras de Drauzio Varella. Médico oncologista, voluntário na Casa de Detenção por 13 anos, hoje atendendo na Penitenciária Feminina da Capital, o autor dá voz aos presidiários e carcereiros do Carandiru. 

Luiz Eduardo Soares, antropólogo, cientista político, escritor brasileiro e um dos maiores especialistas em segurança pública do país, no seu prefácio de abertura à exposição, atenta para a “descoberta da vitalidade dos apenados, sua criatividade e a complexidade de suas reflexões, seus destinos, revelando um mundo surpreendente – o mundo do lado de lá, onde há também vida, esperança, trabalho, construção e projeto”. 

Sobre Casas do Brasil
Realizado desde 2006, o projeto Casas do Brasil procura mapear as diversas tipologias de habitações brasileiras com o objetivo de formar um inventário sobre a diversidade do morar no país. Já foram temas do projeto em exposições no Museu da Casa Brasileira “Casa Xinguana” (2008), “Barraca Cigana” (2012) e “Habitação ribeirinha na Amazônia” (2013), entre outros. Cada mostra no MCB corresponde a uma publicação. 

Sobre Maureen Bisilliat
Maureen Bisilliat estudou pintura em Paris e Nova York, antes de se fixar definitivamente no Brasil em 1957, na cidade de São Paulo. Trocou a pintura pela fotografia no início dos anos 1960, trabalhando na Editora Abril entre 1964 e 1972, na revista Realidade. É autora de livros de fotografia inspirados em obras de grandes escritores brasileiros: A João Guimarães Rosa, 1966; A Visita, 1977, no poema homônimo de Carlos Drummond de Andrade (1902 – 1987); Sertão, Luz e Trevas, 1983, no clássico de Euclides da Cunha (1866 – 1909); O Cão sem Plumas, 1984, no poema de mesmo título de João Cabral de Melo Neto (1920 – 1999); Chorinho Doce, 1995, com poemas de Adélia Prado (1935); e Bahia Amada Amado, 1996, com seleção de textos de Jorge Amado (1912 – 2001). 

A partir da década de 1980, dedica-se ao trabalho em vídeo, com destaque para Xingu/Terra, documentário de longa-metragem rodado com Lúcio Kodato na aldeia mehinaku, Alto Xingu. Em 1988, é convidada pelo antropólogo Darcy Ribeiro (1922 – 1997), com Jacques Bisilliat (seu segundo marido) e Antônio Marcos Silva, a levantar um acervo de arte popular latino-americano para a Fundação Memorial da América Latina. Viaja com Jacques para o México, Guatemala, Equador, Peru e Paraguai para recolher peças para a coleção permanente do Pavilhão da Criatividade, do qual é curadora.

“Minha familiaridade com o universo do Carandiru data dos anos 1980, resultado de uma experiência de documentarista do projeto Teatro no Presídio, desenvolvido na casa de detenção durante 5 anos (1984 a 1990), entre membros da população carcerária e um grupo de jovens profissionais (Inês de Castro, Sophia Bisilliat e Renato Primo Comi), com a supervisão de Eda Tassara, professora titular do Departamento de Psicologia Social e do Trabalho da Universidade de São Paulo”, relata ela.

Fonte da biografia de Maureen Bisilliat – Enciclopédia Itaú Cultural