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Mostra | Cooperativas habitacionais no Uruguai – meio século de experiências


O Museu da Casa Brasileira realiza, a partir de 3 de junho, a exposição Cooperativas habitacionais no Uruguai – meio século de experiências, resultado de um trabalho de documentação e pesquisa conjunto desenvolvido pela Faculdade de Arquitetura de Montevidéu (Uruguai) e a Escola da Cidade (SP/Brasil). 

A exposição Cooperativas habitacionais no Uruguai – meio século de experiências, que conta com apoio do Consulado do Uruguai em São Paulo, tem curadoria dos arquitetos Alina del Castillo e Raúl Vallés da Unidade Permanente de Habitação (Montevidéu), Luis Octavio de Faria e Silva e Ruben Otero do curso de pós-graduação Habitação e Cidade (São Paulo). Em cartaz no MCB até 30 de agosto, registra o movimento cooperativista no Uruguai por meio da reprodução de fotografias, planos e maquetes de vinte obras produzidas na cidade de Montevidéu durante 50 anos. Contempla, com isso, diversas modalidades de gestão, implantações urbanas e modalidades de projeto. 

A experiência uruguaia na produção de habitação social pelo sistema cooperativo é um dos episódios mais interessantes da arquitetura sul-americana nos últimos cinquenta anos. O movimento cooperativo destinado à construção de moradias populares surgiu nos anos 60 a partir da iniciativa de um pequeno grupo de profissionais que conseguiu articular um modelo eficiente para possibilitar o acesso à habitação de qualidade à população trabalhadora. Tudo isso aconteceu em um contexto de profunda crise econômica que, entre outros efeitos, gerou uma forte paralisação na indústria da construção. 

A partir do trabalho dessa equipe foi desenvolvida a base legislativa que gerou a Lei Nacional de Habitação Uruguaia (Lei Nacional de Vivenda) de 1968, uma conquista da classe operária organizada com experiência em trabalho coletivo, apoiada por uma geração de arquitetos com sólida formação técnica e comprometida com a melhora da qualidade de vida da população.

A experiência cooperativa atingiu sua maturidade em meados dos anos 60, com uma produção relevante, tanto em termos quantitativos quanto qualitativos.  O movimento permaneceu em estado latente mesmo quando foi desarticulado pela ditadura militar, quando o regime militar uruguaio e o governo civil de Julio María Sanguinetti deixaram de conceder “personerías jurídicas” a cooperativas de habitação entre 1976 e 1989, impedindo assim a formalização de financiamento a milhares de pessoas. A produção ressurgiu, lentamente, com o restabelecimento democrático, incorporando novas modalidades de atuação como a reciclagem de construções existentes em áreas patrimoniais da cidade. 

O cooperativismo demonstrou ser um sistema de grande potencial para a construção do habitat social urbano que, transcendendo o estritamente arquitetônico, gerou projetos de autogestão e habitar coletivo com um papel fundamental na construção de cidadania. Ao longo dos 50 anos dessa experiência pioneira acumularam-se propostas, saberes, histórias, experiências de habitar coletivo, acertos e erros que caracterizam essa forma de fazer habitação coletiva com identidade própria.

No dia da abertura da exposição no MCB, 3 de junho, houve uma mesa-redonda sobre habitação no Brasil e no Uruguai com a participação de arquitetos dos dois países: Mariano Arana e Raúl Vallés (Universidad de la República Uruguay – Facultad de Arquitectura), Elisabete França (FAAP e núcleo USPcidades) e Luis Octavio de Faria
e Silva (Escola da Cidade). Foi também lançado na ocasião um catálogo apresentando imagens e fichas técnicas dos projetos retratados na exposição junto a textos dos arquitetos uruguaios Alina del Castillo, Benjamim Nahoum, Miguel Cecilio, Raul Vallés e Ruben Otero sobre a experiência das cooperativas de habitação como solução de qualidade para a produção de moradias populares no Uruguai. 

Sobre o Museu da Casa Brasileira
O Museu da Casa Brasileira se dedica às questões da cultura material da casa brasileira. É o único do país especializado em design e arquitetura, tendo se tornado uma referência nacional e internacional nesses temas. Há algum tempo a gestão do MCB busca trazer a boa produção de design e arquitetura de países latino-americanos, aproximando a discussão de seus conteúdos às realidades culturais próximas, renovando o cenário cultural que normalmente se volta para a produção europeia e norte-americana.

Em 2010, a mesma parceria institucional viabilizou a execução da mostra Arquitetura do Uruguai por ocasião da 8ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo, apresentando um conjunto significativo de obras realizadas entre os anos 1950 e 1970, com curadoria de Ruben Otero, Luis Zino e Ignácio Errandonea.  Dentre as iniciativas do Museu, destacam-se o Prêmio Design Museu da Casa Brasileira, realizado desde 1986, e o projeto Casas do Brasil, que promove um inventário sobre as diferentes formas de morar no país. 

Sobre a Escola da Cidade
A Escola da Cidade é uma instituição de ensino superior reconhecida pelo Ministério da Educação que oferece curso de graduação em Arquitetura e Urbanismo. A Escola é um centro de estudos de graduação e pós-graduação do desenho do ambiente, das diferentes formas de ocupação do espaço e das relações entre arquitetura, história, cultura, território e natureza.

Instituição de ensino sem fins lucrativos, a Faculdade reúne um conjunto de professores capacitados para formar futuros arquitetos que elaborem reflexões críticas e criem soluções técnicas e estéticas, lidem com conhecimentos que estruturam o pensamento construtivo, reconheçam a dimensão do espaço coletivo, fomentem processos interpretativos estruturados, contínuos e criativos.