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20° Prêmio Design |
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O Prêmio Design Museu da Casa Brasileira recebeu este ano, em sua 20ª edição, um total de 578 inscrições, vindas de 16 estados do país. A categoria com maior número de inscritos foi a de Mobiliário (173), seguida por Novas Idéias/Conceitos (145), Utensílios (108), Iluminação (74), Equipamentos Eletro-eletrônicos (33), Equipamentos de Construção (16), Têxteis e Revestimentos (15) e Trabalhos Escritos (14).
A comissão julgadora foi composta por Alécio Rossi, Auresnede Stephan, Baba Vacaro, Claudio Ferlauto, Delia Beru, Fernando Prado, Mara Gama, Newton Gama, Patrícia Fonseca, Pedro Ariel e Virginia Kistmann.
Avaliação do júri
Todo prêmio, concurso ou competição, —assim como a Copa do Mundo é para o futebol, e algumas bienais são para as artes—, revela através de seus resultados um panorama dos avanços de linguagem, da inovação, da adequação às condições sociais e políticas, das novidades técnicas, e, no caso do futebol, das nuances táticas e competitivas. Nas idéias vencedoras e nas tendências dominantes é possível ler com clareza o que está acontecendo na área em questão. No design não é diferente. Os resultados de uma competição nacional do porte do Prêmio Design Museu da Casa Brasileira descobrem o que está sendo produzido e pensado, e de uma certa maneira, até o que será consumido no mercado brasileiro. E também fotografa a produção industrial e suas peculiaridades diante das demandas do mercado. Ou vice e versa.
A vigésima edição do Prêmio Design não escapa deste destino, até porque os jurados através das deliberações preliminares e das escolhas finais deixou patente que se preocupava em construir um conjunto de artefatos que, com o passar dos anos, viesse a representar este momento da produção material sob as condições sócio-políticas, econômicas e culturais existentes. Além disso definiram como tônica de seu discurso “escolher produtos que melhorem a vida dos usuários”. E para não ficar no mero verbal, o júri passou a construir um discurso através dos objetos, que colocados lado a lado, dialogam e asseveram o critério adotado.
Quatro escolhas podem exemplificar os critérios comuns aos jurados:
o primeiro prêmio da categoria Mobiliário e a menção honrosa de Trabalhos escritos falam do presente e do futuro, enquanto os dois produtos destacados na categoria Equipamentos eletro-eletrônicos falam de consumo e bem estar.
Começando pelo que pode até ser interpretado como o prêmio mais relevante do evento — a cadeira Diz, de Sergio Rodrigues. É, ele mesmo. Um dos nossos mais importantes designers, famoso desde os anos de 1960, quando sua poltrona Mole foi premiada na Itália, virou item da coleção do MoMA - Museu de Arte Moderna de Nova York e foi licenciada para uma meia dúzia de países pelo mundo afora. Sérgio tem sido assíduo freqüentador do Prêmio Design do Museu da Casa Brasileira desde sua criação. Foi jurado na 2ª e na 12ª edições, teve uma Sala Especial [1998] e agora, premiado com um primeiro lugar.
Sua cadeira, ou melhor seria dizer, poltrona, foi escolhida por unanimidade pelo júri que apontou “como maior qualidade sua estrutura de madeira bem resolvida e trabalhada com maestria. Além disso, é uma peça extremamente confortável e bonita, qualquer que seja o ângulo de visão.” E acrescentou ainda que “vale ressaltar a humildade do veterano designer Sérgio Rodrigues em concorrer ao prêmio”. A cadeira Diz é o presente. Projeto contemporâneo, fruto maduro de uma carreira cheia de grandes momentos, que une a vocação brasileira para o uso da madeira a uma concepção de design voltado ao bem estar humano. Tão autêntica e brasileira que é fácil prever para ela um rápido reconhecimento, e consumo, internacional. Bom design, identificável num primeiro olhar, sem mesmo precisar sentar-se nela para confirmar a impressão.
Em Trabalhos escritos, um texto de origem acadêmica e que tem um daqueles longos títulos característicos da produção acadêmica, está a tese de doutorado de Denise Dantas —Design Orientado para o futuro, centrado no indivíduo e na análise de tendências. Nas palavras do júri, é “uma abordagem instigante”, que “faz uma análise do comportamento de consumo e das tendências sócio-culturais e tecnológicas e aponta um caminho para o futuro do design de produto…” A autora concebe um design a partir de projetos como inovação e interfaces, centrado no usuário e com uso de conceitos da Psicologia Social e das Teorias da Personalidade. Complicado? Só no primeiro olhar ou na primeira aproximação.
Outras dicas sobre as decisões e critérios do júri estão dentro de uma mesma categoria: a de Equipamentos eletro-eletrônicos. Aliás, categoria que apresenta um grande números de excelentes projetos e produtos para nosso dia a dia. A lavadora Superpop e o nebulizador Ultra-Alívio. Que outro produto poderia bater uma super e um ultra? A lavadora destinada ao mercado popular é na visão do júri mais do que inovadora. “A comissão julgadora testou e destacou a facilidade e rapidez para a montagem do equipamento, que é vendido desmontado; a redução significativa do tamanho do equipamento na embalagem, facilitando transporte e estocagem; e a facilidade de manuseio. Tais qualidades indicam um projeto coerente com o objetivo de atender a demanda de público de baixa renda sem a perda de qualidade no serviço efetuado.
O pequeno nebulizador, que também pode ser usado com pilhas, facilitando sua portabilidade e uso, foi escolhido porque cabe na bolsa como um celular, pode ser levado dentro do carro em uma viagem longa, mas sobretudo porque traz maior conforto para a vida do usuário.
Estas não são as palavras do presidente do júri. São as palavras que sintetizam, sem burocracia, o principal pensamento formado dentro do grupo dos jurados, o de que a seleção dos produtos deveria se basear, além dos requisitos básicos de competência do desenho e do processo produtivo, no ponto de vista do usuário e de seu bem estar.
Claudio Ferlauto
O Prêmio e a história do design brasileiro
Criado em 1986 pelo então diretor do MCB, o publicitário Roberto Dualibi, o Prêmio Design traz em sua trajetória grandes nomes e se confunde com a própria história do design brasileiro.
Na primeira edição, um dos premiados foi a cadeira Paulistano, de autoria do arquiteto Paulo Mendes da Rocha, que acaba de conquistar o Prêmio Pritzker de Arquitetura. Outros vencedores no decorrer dessas duas décadas foram os irmãos Campana, Michel Arnoult, Carlos Motta, Guinter Parschalk, Jacqueline Terpins, Gerson de Oliveira e Luciana Martins, Guto Índio da Costa, Anísio Campos, Oswaldo Mellone, José Carlos Bornancini e Nelson Petzold, bem como Ângela Carvalho, Reno Bonzon, Alfredo Farné, Pedro Useche, Paulo Segall, Valter Bahcivanji, Camila Fix.
Foram vencedores também Maurício Azeredo, Daniel Lafer, Kelley White, Goya Lopes, Fernando Prado, Giorgio Giorgi Jr, Marcelo Rosenbaum, Heloísa Crocco, Sara Rosenberg e Anette Ring, e Tina e Lui Lo Pumo. Entre as empresas contempladas, estão Multibras/Brastemp, Gradiente, Tok & Stok, Empório Beraldin, Singer, Papaiz, Electrolux, Enxuta, Deca, Philco, Itautec, Lumini, Cia de Tapetes Ocidentais, Avanti, Coza, Martiplast e Arte Nativa Aplicada.
O Prêmio abrange todos os equipamentos para o habitat, nas categorias Mobiliário, Utensílios, Iluminação, Equipamentos Eletro-Eletrônicos, Equipamentos de Construção, Têxteis e Revestimentos, Trabalhos Escritos e Novas Idéias/ Conceitos.
Calendário
De 8 de julho a 8 de agosto – Inscrições por meio de memorial descritivo, fotos e desenhos técnicos
Dia 5 dezembro – Cerimônia de premiação e abertura da exposição dos produtos selecionados e premiados
De 6 de dezembro a 21 de janeiro de 2007 – Visitação à mostra 20º Prêmio Design Museu da Casa Brasileira
Sabemos que a participação implica não só num dispêndio de energia, tempo e dinheiro, mas também numa atitude de submeter o próprio trabalho à avaliação externa. Aos que não foram selecionados, gostaríamos de agradecer e lembrar que o Prêmio é realizado anualmente. Esperamos suas inscrições nas próximas edições.
Se você tiver alguma crítica ou observação a fazer sobre o regulamento, nosso atendimento ou qualquer outro aspecto relativo ao Prêmio, pedimos que o faça pelo e-mail premiodesignmcb@terra.com.br. Após o término desta edição, queremos dar início a uma ampla avaliação do Prêmio, pois acreditamos que há vários pontos a serem aperfeiçoados e modificados. Todas as sugestões e críticas serão bem-vindas e levadas em consideração.
Mais informações
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